Sobrevivi a um aneurisma cerebral e minha vida mudou para melhor

Gostou deste artigo? Agradeça divulgando:Tweet about this on Twitter0Share on Google+0Share on Facebook0

Até sonhei que um dia valeria a pena escrever um livro, contando fatos, revivendo sentimentos e emoções, registrando costumes e valores de minha época.

Agora, penso diferente – preciso escrever pra mim, para extravasar o que entala na garganta – seja bom ou ruim – mas que ninguém, a não ser euzinha mesmo, está interessada em saber.

Sobrevivi a um aneurisma cerebral

Intimidade é algo hoje desconhecido, ou melhor, só ocorre nos consultórios de terapeutas, homeopatas, e outros que se dispõem a te ouvir, a maioria, devidamente remunerada para isto. Estes especialistas, os novos amigos íntimos, substituem – ou pretendem – o contato de almas entre amigas, entre amigos, entre mães e filhas, pais e filhos( que já era raro!), entre irmãos/primos. As redes de apoio são cada vez mais virtuais, pois oscontatos diretos custam tempo, longos engarrafamentos, estresse e risco de assalto.

Pergunto-me se realmente não fazem mais falta – cada um no seu mundo – só trocando dicas de moda, cuidados de beleza, fofocas de famosos, comparação entre consumo, status, e tudo que os meus filhos tem…e o que eu quero que eles tenham… quanto ao ser , basta: que se comportem bem em restaurantes ou shoppings, se mantenham limpos, não gritem, não protestem , gostem da escolinha (ai deles se demorarem a se adaptar!)não mintam, gostem de grifes (exijam, de preferência) porque amigo bom é aquele que veste Nike, adidas, Tiger, Lilica – aos cinco anos eles já dominam toda esta parafernália de marcas e patentes! Chegaremos aonde assim? Isto é bom? Pra quem?

Paradoxo de nossa era : comunicações altamente favorecidas, em grande escala, tecnologias que encurtam distâncias, e as pessoas cada vez mais isoladas? Com quantos amigos você abre realmente seu coração?

Quantos sabem mesmo seus dilemas, suas frustrações, seus êxitos? Não se conhece, nem mesmo os vizinhos… só os muito chatos, que incomodam, reclamam…o que me parece é que enxerga-se o próximo como um possível rival, pra quem não se dá intimidade, pois amanhã o jogo pode virar e, minhas fragilidades poderão ser expostas … será? Crise de confiança?

Mas temos tantos cuidados com nossa privacidade – queremos morar sozinhos, ter nossa vida, cada um com um carro (o meio ambiente que se dane), mas colocamos nas redes sociais nossas idas e vindas, fotos de lugares visitados, como uma tentativa de compartilhamento de momentos felizes, ou nem tanto, com um número expressivo de amigos ou apenas conhecidos?

Será compartilhamento ou exibicionismo? Olha onde andei, quanto dinheiro tenho, minha cara feliz na foto, meu corpo sarado – mas será que foi tão bom assim?

Nos dias que se seguiram , sentimos que a alegria daqueles dias se estendeu e contaminou nosso cotidiano? Ou nem mesmo anoiteceu domingo e já estamos impregnados do stress da próxima semana? E toda aquela energia boa – da natureza, do exercício físico, das brincadeiras, escoou pelo ralo, na ânsia de retomar os velhos hábitos, a necessidade de estar estressado para parecer competente, ágil, hábil…. será?

Eu nem sabia que tudo isto estava rodando no meu íntimo – esqueci de contar tudo de bom que fiz hoje desde que acordei! Acordaram-me os bem te vis – tem um gago que canta Bem Bem te vi e, outro, que acho que tem Alzheimer – canta só te vi, te vi! Amo os dois – são tão imperfeitos quanto eu, que ora repito, ora esqueço…o que importa é que povoam de vida, minha vida, alegram, movimentam e me dão uma vontade danada de levantar e me divertir!

Tomo minha vitamina com tudo que preciso para baixar o colesterol: linhaça germinada, fibra de aveia, suco de limão, suco de bergamota (do pé da frente da casa – colhida 1 minuto antes de entrar no liquidificador! Um luxo!) – semente de abóbora seca, meia maçã com casca, mel ou açúcar mascavo – Bato
até desmanchar tudinho e tomo saboreando e me deliciando com o perfume do suco recém batido! A energia é tanta que saio pra praia – caminho cantando, rezando, fazendo meditação, repetindo sonhos e visualizando-os – vejo meus amores todos rindo, brincando, lindos , ternos, doces, alegres, felizes! É a
melhor parte do meu dia! São duas horas vendo muito mar, areia e céu – horizonte infinito – aqui perto, as corujas, garças, patos selvagens, bem te vis, gaivotas, andorinhas, pescadores, poucos caminhantes, companhias diferentes do verão….o silêncio , onde só as ondas quebrando e o grito vivaz de um ou outro pássaro atravessam , provocam uma sensação de expansão e conexão com o todo … mais um dia a agradecer, a viver, a amar!

Revisei este texto hoje e ele continua atual, apesar de terem se passado alguns anos!

Nestes anos muita água rolou por baixo da ponte: sete anos depois de aneurisma cerebral inoperável, me encontro comigo mesma: sem aneurisma e, melhor de tudo, sem cigarro!! Repito de novo: bendito aneurisma! Serviu de alerta, de basta ao non sense – quer viver? Então faz toda a tua parte, ok?

Para com este chove e não molha de cuidar da alimentação, do ar que respira, de fazer meditação, de pensar positivo,, fazer exercício e continuar,diariamente, 20 vezes por dia, inspirando tudo que vem dentro do cigarro moderno, que nada tem a ver com o fumo de corda de antigamente, tabaco puro, cheiroso, cigarro de palha… Hoje nem este me assombra: dou graças todo o dia, pela decisão que me libertou.

E, sim, me sinto mais digna de mim mesma, da minha história , de todas as oportunidades que a vida me ofereceu para crescer, evoluir e distribuir alegria, saúde e contentamento por estar VIVA!! Mais uma missão cumprida, é assim que me sinto!

Gostou deste artigo? Agradeça divulgando:Tweet about this on Twitter0Share on Google+0Share on Facebook0

You may also like...

Tem algo a acrescentar? Compartilhe nos comentários.