O Fim da AIDS?

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Em 5 de junho de 1981 o America’s Centers for Disease Control and Prevention relatou o aparecimento de uma forma rara de pneumonia em Los Angeles. Quando, algumas semanas mais tarde, seus cientistas notaram um conjunto semelhante de um tipo raro de câncer chamado sarcoma de Kaposi em São Francisco, eles suspeitaram que algo de estranho e sério estava acontecendo. Esse algo era a AIDS.

Desde então, 25 milhões de pessoas morreram de AIDS e outras 34 milhões estão infectadas. O 30º aniversário da descoberta da doença tem sido tomado por muitos como uma ocasião para angústia. No entanto, a guerra contra a AIDS está indo muito melhor do que se tinha esperança. Uma década atrás, metade das pessoas em vários países do sul Africano eram esperadas a morrer de AIDS. Agora, a taxa de mortalidade está caindo. Em 2005, a doença matou 2,1 milhões de pessoas. Em 2009, o ano mais recente para o qual existem dados disponíveis, o número era de 1,8 milhões. 5 milhões de vidas já foram salvas pelo tratamento da droga. Em 33 dos países mais afetados a taxa de novas infecções diminuiu 25% ou mais do seu pico.

Ainda mais promissor é um recente estudo que sugere que as drogas utilizadas para tratar a AIDS podem impedir a sua transmissão. Se isso for verdade, as drogas poderiam conseguir muito mais do que uma vacina. A questão para o mundo deixará de ser se é possível acabar com a praga, mas se estamos dispostos a pagar o preço.

A aplicação da ciência

Se a AIDS for derrotada, será graças a uma aliança entre o ativismo, ciência e altruísmo. A ciência vem de empresas farmacêuticas do mundo, que saltaram sobre o problema. Em 1996, um lote de medicamentos similares, todos eles que inibem a atividade de uma das enzimas cruciais do vírus da AIDS, apareceu quase que simultaneamente. O efeito foi milagroso, se você (ou seu governo) pudessem arcar com os 15.000 dólares por ano que essas drogas custavam quando vieram pela primeira vez no mercado.

Grande parte do ativismo veio de gays do mundo rico. Tendo as empresas farmacêuticas sido atormentadas a criar novos medicamentos, os ativistas as intimidaram a baixar o preço. Isso teria acontecido de qualquer maneira, mas o ativismo fez acontecer mais rápido.

O altruísmo foi despertado quando se tornou claro em meados da década de 1990 que a AIDS não era apenas uma doença do mundo rico. Três quartos das pessoas afetadas foram e ainda são na África. Ao contrário da maioria das infecções que atingem crianças e idosos, a AIDS atinge os membros mais produtivos da sociedade: empresários, funcionários públicos, engenheiros, professores, médicos, enfermeiros. Graças a um enorme esforço de filantropos e alguns políticos ocidentais (esta é uma área onde, mesmo a esquerda deve dar crédito a George Bush), uma série de programas trouxe medicamentos para pessoas infectadas.

O resultado é irregular. Nem todas as pessoas – cerca de 6,6 milhões a 16 milhões que seriam mais rapidamente beneficiadas – estão recebendo os medicamentos. E as pílulas não são uma cura. Pare de tomá-las, e o vírus volta. Mas é um enorme passo a frente comparado a dez anos atrás.

O que a ciência pode oferecer agora? Alguns sistemas imunitários de pessoas controlam a doença naturalmente (o que sugere que uma vacina pode ser possível) e anticorpos foram descobertos que neutralizam o vírus (e podem, assim, formar a base de drogas contra a AIDS). Mas a cura ainda parece muito distante. A prevenção é, de momento, a melhor aposta.

Existem várias maneiras de impedir as pessoas de contrair a doença em um primeiro lugar. Convencer as pessoas a usar preservativos e a dormir com menos parceiros/as tem algum efeito. A circuncisão ajuda a proteger os homens. Um microbicida vaginal (não existe nenhum, mas pelo menos um teste se mostrou promissor) poderia proteger as mulheres. A nova esperança se centraliza na ideia de combinar o tratamento com a prevenção.

Uma questão de dinheiro

Nos primeiros dias os cientistas eram frequentemente atacados por ativistas por estar mais preocupados com a tentativa de impedir a propagação da epidemia do que tratar os afetados. Agora parece que o tratamento e a prevenção vieram na mesma pílula. Se você pode parar o vírus de se reproduzir no corpo de alguém, você não apenas salva essa vida, como também reduz o número de vírus para ele/a passar. Tenha pessoas suficientes com acesso a drogas e seria como vaciná-las: a cadeia de transmissão seria interrompida.

Essa é uma tarefa enorme. Não é apenas uma questão de trazer aqueles que já devem estar nas drogas (os 16 milhões que apresentam sintomas ou cujo sistema imunológico está fraco criticamente). Para prevenir a transmissão, o tratamento, em teoria, precisaria ser expandido para toda a população de 34 milhões de infectados com a doença. Isso significaria um rastreio mais eficaz (que já é previsto), e também uma vontade daqueles sem os sintomas a serem tratados. Essa disposição poderia estar lá, no entanto, se isso protegesse os parceiros não infectados.

Esse programa levaria anos e também custariam muito dinheiro. Cerca de US$ 16 bilhões por ano é gasto com a AIDS em países pobres e de renda média. Metade é gerada localmente e metade é de ajuda externa. Um relatório publicado no Lancet sugere uma mistura cuidadosa de abordagens que não envolvam tratar todos aqueles sem sintomas que traria grande benefício para não muito mais que isso – um pico de US$ 22 bilhões em 2015, e uma queda em seguida. Além disso, a maioria das despesas extra seria compensada pela economia no tratamento de pessoas que teriam sido infectadas, mas não foram – cerca de 12 milhões de pessoas, se os especialistas fizeram suas somas direito. A US$ 500 por pessoa, por ano, os benefícios seriam muito superiores aos custos em termos puramente econômicos, embora os doadores teriam que comparar o ganho de gastar mais com o vencer a AIDS contra outras causas nobres, como a eliminação da malária.

No momento, a luta é para impedir que alguns países ricos deem menos. Os Países Baixos e a Espanha estão cortando as suas contribuições para o Fundo Global, um dos dois principais distribuidores dos medicamentos que salvam vidas (o outro é uma criação de Bush, o PEPFAR), e a Itália parou de pagar por completo.

Em 8 de junho, as Nações Unidas se reuniram para discutir o que fazer a seguir. Aqueles que veem a ONU como um mero talking-shop deve lembrar que seu primeiro encontro sobre a AIDS lançou o Fundo Global. Se tem ainda uma longa caminhada. Mas a AIDS pode ser derrotada. Uma praga que há 30 anos, foi atribuída a iniquidade do homem acabou mostrando-lhe como melhor, mais inventivo e generoso.

Via: The Economist

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