Motor Flex – Você Ainda Terá Um

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O título acima é uma variação de um slogan/sátira dos anos 80, referente aos carros com motores a álcool. No auge do “Programa Pró-Álcool” do governo brasileiro, quase 100% dos veículos fabricados no país, possuíam motor a álcool. Devido a isto, quem procurava um veículo para comprar, dificilmente encontrava algum que não fosse movido a álcool.

Agora, a nova febre são os “Motores Flex”.
Resolvi então falar deste assunto, pois muitos ainda não sabem o que realmente é um motor Flex. Ele inclusive já foi até apelidado de “Pato”, pois existe uma característica em comum entre os dois.
O Pato anda, nada e voa, mas faz as três coisas de forma desengonçada e precária. A mesma coisa acontece com o Motor Flex, pois ele foi desenvolvido para trabalhar com dois combustíveis (Álcool e Gasolina), mas não tem um bom desempenho em nenhum dos dois

Os modelos somente a Álcool ou somente a Gasolina, possuem um desempenho superior ao Flex. Mas qual o motivo para que isto ocorra?

A seguir, uma rápida explicação sobre seu funcionamento:

Veículos com Motores Flex

Foto: Wikipedia - Autor: Mariordo

Para que o Motor Flex possa trabalhar com as duas opções de combustível, o módulo da central de injeção de combustível foi desenvolvido para receber informações de sensores, que reconhecem qual deles está em uso, e se ajusta para esta condição (tempo de injeção, quantidade de combustível, volume de ar na admissão, etc). Mas existe um item que não consegue se ajustar, pelo menos atualmente, em função do combustível que está em uso. Estou me referindo taxa de compressão do motor.

Nos casos dos Motores Álcool e Motores Gasolina, as taxas são diferentes para cada um. No Motor Álcool, a taxa de compressão ideal deve ficar entre 12:1 e 12,5:1 e no Motor Gasolina fica entre 9:1 e 9,5:1. Desta forma eles conseguem o máximo de aproveitamento na queima do combustível, garantindo assim uma melhor performance do motor.

O problema é que nos Motores Flex, a taxa de compressão que foi definida, para que ele consiga trabalhar com os dois combustíveis, é um meio termo entre as duas citadas anteriormente. Em média, ela fica com o valor de 10,5:1, podendo variar um pouco, conforme o fabricante. E o resultado disto tudo, é que o Motor Flex acaba não conseguindo um bom desempenho com nenhum dos dois combustíveis. Se ele trabalhar com Álcool, ele é menos econômico (km/Litro) do que um Motor somente a Álcool. E com a Gasolina, em alguns casos, a diferença é mais significativa. Ele chega a ser 10 a 15% menos econômico que um motor somente a Gasolina.

Mas o rendimento destes motores não é o maior dos problemas. A encrenca maior, que pode levar o “Programa Flex” ao fracasso, está em outro ponto, e os usuários de Motor Flex já estão sentindo isto desde 2010. Quem compra um veículo com Motor Flex, quer ter a possibilidade de escolher qual combustível utilizar. O problema é que o Álcool subiu tanto de preço nos últimos meses, que se tornou inviável a sua utilização durante boa parte do ano. E aí vem a pergunta: Para que comprar um veículo com Motor Flex?

A má notícia, é que esta situação tende a piorar. E qual seria a razão para que isto esteja ocorrendo? Alguns poderiam dizer que é culpa dos usineiros gananciosos, que se aproveitam da famosa “Lei da Oferta e da Procura” e colocam o preço nas alturas. Eu diria que esta hipótese faz sentido, mas ela representa uma parcela pequena do problema. O nosso maior problema é a Infra-Estrutura, diretamente ligada produção do Álcool.

Para explicar melhor, vou colocar alguns dados, de um relatório do próprio Ministério de Minas e Energia, chamado “Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis”, que foi divulgado agora em Maio/2011:

“-Em 2010, 3,37 milhões de veículos leves foram vendidos no Brasil, sendo 86% deles, com Motor Flex. Com este volume de vendas, estima-se uma frota circulante de 28,4 milhões de veículos no Brasil em 2010, dos quais, 12,4 milhões são da categoria flex fuel. A demanda total de combustíveis para esta frota (Flex), em 2010, representou um aumento de 11,5% em relação a 2009.”

E se continuar este ritmo de produção deste modelo de motor, a coisa pode piorar.

Teoricamente, a demanda deste tipo de combustível deveria acompanhar este crescimento, o que eu já considero uma tarefa difícil, mas o que aconteceu foi o contrário. Em 2010 houve uma redução de 1,9% em relação a 2009.

“-A restrição de oferta em 2010 foi, em parte, causada pelas chuvas do final de 2009, que impactaram a colheita. Outros fatores que também contribuíram para esta restrição foram, a seca ocorrida nos meses de junho, julho e agosto, e o aumento da produção de açúcar em detrimento do etanol.”

Tudo bem. Tivemos problemas climáticos. Mas e se estes problemas não tivessem ocorrido, teríamos conseguido este aumento de 11,5% na demanda? Se este crescimento da frota continuar de forma exponencial, em pouco tempo teremos que deixar de produzir alimentos, para plantar cana de açúcar, com a finalidade de atender este aumento na demanda.

Olhem só o tamanho do pepino.

E para encerrar. Para aqueles que acenam com a bandeira da “Ecologia” e que usam este tema, como forma de argumentar ou justificar o uso destes motores, aqui vai uma informação:

– O Motor Flex é mais poluente do que os outros!!!

O fato destes motores não trabalharem na condição ideal, com o melhor rendimento em função da queima do combustível, faz com que eles joguem na atmosfera muito mais gases poluentes, do que um motor Álcool ou Gasolina. “Quando você queima um combustível de forma incompleta, você gera mais poluição”. “O veículo, quando é dedicado a um único combustível, ele tem uma eficiência de combustão melhor, portanto, ele emite menos poluentes atmosféricos.”

Estas declarações estão em uma reportagem feita pelo FANTÁSTICO, em setembro/2009.

Resumindo, estamos adquirindo veículos com “Motores Flex”, para usar gasolina na maior parte do ano. Usar gasolina em um motor que é menos econômico e com um rendimento menor que um motor a gasolina, e ainda por cima, mais poluente.

E o pior de tudo isto, é que o governo já percebeu que os motoristas estão “desconfiados” e começando a rejeitar o Motor Flex. Então, para evitar mais um “fiasco”, já estão articulando, nos bastidores, uma forma de conter esta “desconfiança”. Veja abaixo:

Jornal Zero Hora – RS – 11/04/2011

O governo brasileiro avalia a criação de um imposto para taxar automóveis nacionais ou importados que sejam movidos apenas a gasolina. A finalidade é incentivar o uso do etanol e, ao mesmo tempo, obter recursos para financiar investimentos em inovação.

Acho que isto dispensa qualquer comentário!!

 

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