Fosfoetanolamina – “Pílula do câncer” é ilusão

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Fosfoetanolamina sintética não pode ser considerada um tratamento para o câncer

Entenda porque a Fosfoetanolamina não pode ser considerada um tratamento para o câncer e qual o impacto para a saúde pública da liberação de sua venda.

Só quem viveu ou acompanhou de perto um paciente com câncer sabe o quão complicado e sofrido o tratamento pode ser.

Sessões de quimioterapia, radioterapia e cirurgias são atualmente os procedimentos médicos mais comuns na batalha contra a doença que muitas vezes não pode ser vencida.

Nesse contexto de dor e desespero que muitos pacientes se encontram, escutar sobre pílulas milagrosas com o poder de cura total do câncer pode parecer um sonho.

Foi assim que Fosfoetanolamina sintética se tornou tão popular e passou a ser chamada de a “pílula do câncer”.

Fosfoetanolamina a pílula do câncer

 

Como funciona a Fosfoetanolamina sintética?

A Fosfoetanolamina foi caracterizada pela primeira vez nos anos 70 e, a partir dos anos 90 começou a ser estudada pelo professor Gilberto Orivaldo Chierice no Instituto de Química de São Carlos – USP.

A ação da Fosfoetanolamina sintética estaria baseada em um estímulo à produção de receptores pelas células cancerígenas, tornando-as identificáveis para o sistema imunológico que as destruiriam por apoptose.

A Fosfoetanolamina também é estudada para doenças como Alzheimer e epilepsia.

 

Porque Fosfoetanolamina sintética não pode ser considerada um tratamento para o câncer?

Para entender porque a Fosfoetanolamina sintética não pode ser considerada um tratamento para o câncer e seu perigo para a população é preciso entender qual é o processo de estudo e aprovação que todo e qualquer medicamento tem que ser submetido no Brasil e no mundo.

A todo momento cientistas do mundo do inteiro pesquisam e buscam novos tratamentos para as mais diversas doenças.

As pesquisas iniciam-se com estudos pré-clínicos in vitro, isto é, ensaios em ambientes controlados com células cultivadas em placas nas quais a substância estuda é administrada e os resultados observados.

Após o sucesso dos ensaios in vitro, a substância estuda é testada in vivo, isto é, em animais como roedores em um ambiente extremamente controlado.

Durante os estudos pré-clínicos são observadas a segurança e eficácia da substância estuda, no entanto não é possível concluir absolutamente nada sobre a ação do composto em pessoas.

Para entender seu comportamento de um medicamento nos pacientes é preciso iniciar os estudos clínicos.

Fosfoetanolamina não tem estudos clínicos

Os estudos clínicos envolvem voluntários saudáveis e portadores da doença e é dividido em três fases antes da aprovação da substância como um medicamento. Há ainda uma quarta etapa realizada após a liberação do medicamento.

A primeira fase envolve o estudo do medicamento em pacientes sadios e determina o comportamento da substância no organismo a fim de compreender apenas padrões segurança.

segunda fase envolve pacientes com a doença de estudo e visa estabelecer a segurança e eficácia da substância estudada em pessoas doentes.

A terceira fase do estudo normalmente envolve a comparação entre um tratamento existente e o novo medicamento, considerando segurança e eficácia em pacientes pessoas doentes.

Todos esses estudos são devidamente monitorados por profissionais médicos e farmacêuticos. Sendo regulamentados por conselhos de ética e pesquisa.

Só após um medicamento ter realizados todas as etapas descritas acima com sucesso e reunir informações suficientes sobre sua segurança, eficácia, eventos adversos, interação com outros medicamentos e alimentos, dosagem, indicação, risco, etc. ele é submetido para aprovação do órgão competente. No caso do Brasil a ANVISA é órgão responsável por liberar o uso de novos medicamentos.

Uma vez que a ANVISA aprova a substância ela passa a ser considerada um medicamento e pode ser comercializado para a população.

O processo geralmente demora muitos anos e a taxa de insucesso é grande. Já que muitos medicamentos que prometiam ser milagrosos revelam-se um verdadeiro fracasso quando usado no “mundo real”.

Muitas substâncias que pareciam eficazes nos estudos pré-clínicos não são eficazes ou até mesmo muito perigosas em humanos e, portanto, não viram medicamentos.

Apesar dos 20 anos de estudo da Fosfoetanolamina sintética, a substância possui apenas estudos pré-clínicos.

Sendo assim, não existe nenhuma base científica para sua eficácia e segurança do uso de Fosfoetanolamina em pacientes com câncer.

O desespero faz os pacientes com câncer usarem Fosfoetanolamina

Pessoas desesperadas pela cura do câncer estão submetendo-se ao tratamento com a Fosfoetanolamina sintética como verdadeiras cobaias e expondo sua saúde a riscos enormes sem nenhuma garantia de eficácia.

Ironicamente, o governo que é o principal responsável por garantir e proteger a saúde da população e que sempre exige que os cientistas e companhias farmacêuticas respeitem todos os requisitos de estudos clínicos e pré-clínicos para liberar a venda de qualquer medicamento, em uma medida puramente populista e perigosa, liberou o uso da Fosfoetanolamina para uso dos pacientes com câncer.

Médicos são contra o uso da “pílula do câncer”

A comunidade científica de forma geral repudia a liberação da Fosfoetanolamina sintética.

O Conselho Federal de Medicina  (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) não recomendam e orientam os médicos a não prescreveram Fosfoetanolamina como tratamento para o câncer.

É preciso compreender os riscos envolvidos no uso de substâncias sem os estudos mínimos.

Por ser uma doença de evolução rápida, suspender o tratamento convencional do câncer para experimentar o uso da Fosfoetanolamina sintética pode ser um caminho sem volta.

Ainda que alguns pacientes possam ter obtido sucesso ao usar a Fosfoetanolamina, os eventos adversos a curto e longo prazo, as interações medicamentosas e alimentares não são conhecidas.

Você conhece alguém que usou ou pretende usar a Fosfoetanolamina sintética?

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Jack

Blogueiro, criador do ConteAqui. Escrevo para trazer informação e entretenimento.

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