Acidente de Chernobyl – Pripyat

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Recentemente em minhas viagens de “Turismo Virtual” através do “Google Earth/Panorâmio”, acabei chegando a um lugar que estava esquecido por praticamente o mundo todo. Este lugar somente saiu do esquecimento, e voltou aos noticiários, em função dos acontecimentos recentes no Japão, mais especificamente, os problemas na Usina Nuclear de Fukushima, que sofreu danos por causa do terremoto seguido de um Tsunami.

Estou falando da Usina Nuclear de Chernobyl.

A foto abaixo foi tirada logo após a explosão do reator 4, que ocorreu em 1986.

Reator 4 logo após a explosão

Foto: Panorâmio - Autor: bouwman8171

Esta outra foto(abaixo) mostra o sarcófago construído após o acidente, para conter a radiação

Reator 4 após construção do Sarcófago

Foto: Panorâmio - Autor: bouwman8171

O acidente nuclear de Chernobyl foi provocado por uma somatória de erros e fatores. Entre eles:

-Defeitos e imprudência nos projetos de reatores e usinas soviéticas: Com a finalidade de reduzir custos, itens de segurança e emergência eram deixados para segundo plano. Não se priorizava a segurança na prática operacional.

-Operadores despreparados: Os manuais eram incompletos e faltava treinamento estruturado, principalmente com relação segurança. Tudo isso devido a uma sistemática de ocultação de problemas que criava um clima artificial de sucesso e segurança.

Somado a isto, foi programado um teste de segurança, que consistia em reduzir a potência do reator ao mínimo e desligá-lo junto com o corte da energia externa, simulando um blecaute. O objetivo era testar se as bombas elétricas atenderiam a refrigeração do núcleo, contando apenas com a energia gerada pela inércia da rotação das turbinas, até que os geradores reservas, acionados por motores a diesel, assumissem.

Mas o que eles não sabiam, era o quão instável iria se tornar o modelo soviético de reator quando operava a baixa potência. E como não conseguiram conter esta instabilidade, o inevitável aconteceu, conforme pode ser visto na primeira imagem (acima).

Como uma espécie de aviso querendo chamar nossa atenção, em uma região afastada, um imenso cemitério de veículos abandonados. São os veículos utilizados após o acidente. Eles foram utilizados nos trabalhos de construção do sarcófago. Naquele local estão, desde caminhões de bombeiros, até helicópteros. Todos eles estão ali, pois até hoje ainda concentram um nível muito alto de radiação.

Cemitério de veículos

Foto: Panorâmio - Autor: Flatlux

 

Eu poderia me aprofundar mais sobre este assunto do acidente, incluindo mais detalhes de como tudo aconteceu, mas este é um assunto sobre o qual eu pretendo falar em outra oportunidade, pois eu gostaria de aproveitar para falar de outro local que acabei conhecendo graças a esta “Viagem Virtual” que fiz até Chernobyl, e que mexeu muito comigo.

Fazendo um “Passeio Virtual” pela região, acabei encontrando uma cidade localizada a 3 Km da Usina de Chernobyl. Estou falando da cidade de Pripyat.

O vulto da usina de Chernobyl domina o horizonte de Pripyat, onde não restou um habitante. Lá, energia nuclear é sinônimo de morte. Depois da explosão do reator número 4, na madrugada fatídica de 26 de abril de 1986, a radiação varreu tudo. A cidade foi abandonada e o acidente inutilizou uma área de 140.000 quilômetros quadrados. Por centenas de anos.

Pripyat e ao fundo a Usina

Foto: Panorâmio - Autor: Kisly.K

PRIPYAT foi construída para ser o lar dos trabalhadores da usina e tinha perspectivas de enriquecer s custas da indústria nuclear.

A cidade foi meticulosamente planejada. Uma ampla rede de atrativos culturais foi construída, como livrarias, teatro, bibliotecas, escola de arte e sala de concertos.A infra-estrutura local contava, também, com centro médico, escolas secundárias, escola técnica, mercados e restaurantes. Uma atenção especial foi dada para a construção e desenvolvimento de diversas pré-escolas e opções para a prática de atividades físicas e de lazer, o que incluía até um pequeno parque de diversões.

Na época do acidente, a cidade possuía uma população de aproximadamente 43.000 habitantes. Hoje Pripyat é uma cidade fantasma, com seus prédios em ruínas. A cidade faz parte da zona de exclusão, elaborada a partir de um raio de 30 km do local do acidente, local contaminado com altíssimos níveis de radiação.

Pripyat tomada pela vegetação

Foto: Panorâmio - Autor: dmone

Nos dias atuais, 25 anos após o acidente, a radiação já diminuiu, permitindo que as pessoas possam ir até lá. Mas este acesso é feito sob um rigoroso controle e com tempo de permanência controlado. Aqueles, que conseguem este acesso, aproveitam para registrar tudo em fotografias, que podem ser visualizadas através do “Google Earth/Panorâmio”.

Olhando estas fotografias, somos tocados por uma mistura de sentimentos, começando por uma profunda sensação de nostalgia, e passa para uma sensação de tristeza ao imaginar, de que forma, tudo isso teve que ser deixado para trás, e para sempre. Em cada aposento, objetos que tiveram de ser abandonados s pressas, e que ali permanecerão, pois a sua retirada é proibida, devido ao alto grau de radiação á que eles foram submetidos.

A cidade toda está se deteriorando pela ação do tempo. Devido aos anos sem manutenção, alguns edifícios já estão entrando em colapso, e começam a desmoronar.

Este é o legado, a herança de Chernobyl. É uma pena que tudo isto não serviu de aviso para o resto do mundo. Precisou ocorrer outro acidente no Japão, para que as autoridades resolvessem pensar sobre o assunto. A Alemanha já deu o primeiro passo e pretende desativar todas as suas usinas até o ano de 2022. Pelo menos uma boa notícia depois de tudo.

 

 

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